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Coração de criança

Vós, que sofreis, porque amais, amai ainda mais. Morrer de amor é viver dele. Victor Hugo

Ontem, como geralmente faço de sexta a tarde, fui para a UCB pegar uma sauna e depois uma piscina. Chegando lá o lugar estava deserto. Para minha surpresa, enquanto deixava a sauna esquentar, apareceu um colega. Raramente converso com ele, talvez pela diferença de idade, já que ele tem uns 12 ou 13 anos.

Conversa vai, conversa vem, ele me pediu um conselho amoroso. Provavelmente eu devo ter mais dúvidas sobre esse assunto do que ele, mas tentei ajudar. Ele pegou o celular e começou a me mostrar umas fotos de uma garota. O filho da mãe pode ter 13 anos, mas sabe bem escolher, a menina é linda.
Disse que era o melhor amigo dela, que a amava muito e que o sonho da vida dele era namorar com ela.

Nesse ponto da história, eu fiquei ligeiramente incomodado. Comecei voltar no tempo e lembrar do meu primeiro amor. As histórias pareciam muito, mas no meu caso, sou amigo dela até hoje, nunca saiu disso.
Antes que eu pudesse falar alguma coisa, ele me explicou a seguinte teoria:

“Eu não posso namorar com ela agora, pois estamos muito jovens. Se começarmos agora, não vamos ficar juntos pra sempre.
Minha ideia é esperar um tempo, até os 17 por exemplo, ai a gente namora, casa e fica pra sempre juntos”.

Acho que todos nós já pensamos em algo parecido, pelo menos os mais estrategistas sim. Esse plano dificilmente acontece. Mas eu jamais poderia desencorajar o rapaz.
Conversamos por mais um tempo. Ele realmente estava amanda a garota, e sofrendo por ela.
E eu que pensei que não se faziam mais pessoas assim.

No final das contas, acabei não dando conselho algum. Deixei ele seguir o seu caminho. A vida vai ensinar.
Depois que ele foi embora, fiquei encucado com a história. Eu não conseguia tirar uma dúvida da cabeça:
Por que é que depois que a gente cresce, acreditamos menos no amor?

Quando jovens, as coisas são muito mais intensas. Amamos mais. Sofremos mais.
E com o passar dos anos, talvez por causa das desilusões, começamos a criar uma armadura contra o amor. Chegamos em um ponto em que ele quase já não existe.
O que resta é um adulto patético e amargurado. Por que será né?
Reclamamos da vida o tempo todo, mas ignoramos a única coisa que pode nos trazer felicidade.
É tão contraditório que chega a ser engraçado.

Que ironia, quem recebeu o conselho foi eu.
Aquele jovem rapaz me fez lembrar que “Morrer de amor é viver dele.”.
É bem mais gostoso viver e se emocionar, do que ser frio, equilibrado e não ter história pra contar.

Have a nice day!