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Perfume

O destino une e separa pessoas. Mais mesmo ele sendo tão forte, é incapaz de fazer com que esqueçamos pessoas que por algum momento nos fizeram felizes” Guilherme Vinicius

Tudo isso ficou congelado no tempo.
Esperando o momento certo de acordar.
Essas coisas ficam pairando pelo quarto dos sonhos.
Mas não há sinal de calor que possa fazer parar.
Essas palavras são confusas, até mesmo pra mim.
Tento ignora-las, mas estão em todos os lugares.
Paredes brancas se transformam em versos.
São tantos acentos que as paredes ficam negras.
Elas escorrem e sobem até o teto.
Não a mais espaço para respirar.
Estou quase me afogando.
Então fecho os olhos, e sinto um perfume suave, delicado e doce.
Paro de lutar e me entrego.
Aos poucos consigo respirar e me sinto seguro.
Minhas mãos retornam a escrita, resultado dessa maldição que me acompanha.
Pessoas entram e saem, observam por alguns segundos, e seguem em frente.
Não me importo, pois tenho a tinta e as paredes.
Elas me atingem e me confortam.
Sempre foi assim, e sempre será.
Não a nada de que me arrependo.
Não a nada que me faça voltar.
Apenas esse perfume doce.
Que me conforta e me congela no ar.