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Pessoas que vão embora

“Deus sussurra e fala à consciência através do prazer, mas grita-lhe por meio da dor: a dor é o seu megafone para despertar um mundo adormecido.” – (C. S. Lewis)

Talves fosse melhor se não pudessemos amar. O amor machuca. Não quando se ama, mas quando se é privado de amar.
O amor é controverso. O mais controverso dos sentimentos. Nos causa dor e alegria. Risos e lágrimas. Como se fosse dono do coração.

Por mais que seja mau esse amor. Niguem viveria se não pelo amor.
Mau mesmo é a morte que nos priva do amor.
Não por que morre o amor. Mas porque morre a quem amar.

Desde de pequenos, nascemos com uma grande capacidade de nos apegar as coisas, pessoas, lugares. E quando nos apegamos tanto que não conseguimos ficar sem. É quando começamos a amar.

Amamos tanto alguém e de um dia pra noite, essa pessoa vai embora, sem que ao menos possamos dizer adeus.
Quem sabe essa não é a maior maldição que sofremos; Perder as pessoas que mais amamos.
Muitos dizem que devemos esquecer e viver a vida. Outros dizem para sermos bons para que um dia possamos encontrar essas pessoas no Monte Olimpo.

Dessa vez não tenho respostas.
Não sei lidar com isso. Nem sei o que dizer. Apenas fico imóvel, intácto e quieto. Mergulhando nos meus pensamentos sem que alguém perceba.
Provavelmente é o que todos fazem. Nos motramos inabaláveis, mas no fundo, estamos afundando nessa maré de uma alegria que não volta mais. E é tão simples perceber quando alguém sofre pois quando se olha nos olhos, eles estão chorando imaginando como será a vida daqui pra frente sem aquele amor que lhe foi tirado.

Hoje já não posso amar quem eu tanto amava. Mas posso amar as lembraças que me deixaram.
Posso amar aquelas doces palavras, aquelas poucas ações, e aqueles poucos olhares.
Amarei cada lembrança por mais pequena que sejá. Pois esse mau amor que nos percegue, consegue aumentar cada lembrança e torna-la uma grande história de alguém que nos ensinou a amar.

“[..] Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.” – Antoine de Saint-Exupéry / O Pequeno Principe

in memory of Vó Mirian e Vô Geraldo