foto:

Coração de criança

Vós, que sofreis, porque amais, amai ainda mais. Morrer de amor é viver dele. Victor Hugo

Ontem, como geralmente faço de sexta a tarde, fui para a UCB pegar uma sauna e depois uma piscina. Chegando lá o lugar estava deserto. Para minha surpresa, enquanto deixava a sauna esquentar, apareceu um colega. Raramente converso com ele, talvez pela diferença de idade, já que ele tem uns 12 ou 13 anos.

Conversa vai, conversa vem, ele me pediu um conselho amoroso. Provavelmente eu devo ter mais dúvidas sobre esse assunto do que ele, mas tentei ajudar. Ele pegou o celular e começou a me mostrar umas fotos de uma garota. O filho da mãe pode ter 13 anos, mas sabe bem escolher, a menina é linda.
Disse que era o melhor amigo dela, que a amava muito e que o sonho da vida dele era namorar com ela.

Nesse ponto da história, eu fiquei ligeiramente incomodado. Comecei voltar no tempo e lembrar do meu primeiro amor. As histórias pareciam muito, mas no meu caso, sou amigo dela até hoje, nunca saiu disso.
Antes que eu pudesse falar alguma coisa, ele me explicou a seguinte teoria:

“Eu não posso namorar com ela agora, pois estamos muito jovens. Se começarmos agora, não vamos ficar juntos pra sempre.
Minha ideia é esperar um tempo, até os 17 por exemplo, ai a gente namora, casa e fica pra sempre juntos”.

Acho que todos nós já pensamos em algo parecido, pelo menos os mais estrategistas sim. Esse plano dificilmente acontece. Mas eu jamais poderia desencorajar o rapaz.
Conversamos por mais um tempo. Ele realmente estava amanda a garota, e sofrendo por ela.
E eu que pensei que não se faziam mais pessoas assim.

No final das contas, acabei não dando conselho algum. Deixei ele seguir o seu caminho. A vida vai ensinar.
Depois que ele foi embora, fiquei encucado com a história. Eu não conseguia tirar uma dúvida da cabeça:
Por que é que depois que a gente cresce, acreditamos menos no amor?

Quando jovens, as coisas são muito mais intensas. Amamos mais. Sofremos mais.
E com o passar dos anos, talvez por causa das desilusões, começamos a criar uma armadura contra o amor. Chegamos em um ponto em que ele quase já não existe.
O que resta é um adulto patético e amargurado. Por que será né?
Reclamamos da vida o tempo todo, mas ignoramos a única coisa que pode nos trazer felicidade.
É tão contraditório que chega a ser engraçado.

Que ironia, quem recebeu o conselho foi eu.
Aquele jovem rapaz me fez lembrar que “Morrer de amor é viver dele.”.
É bem mais gostoso viver e se emocionar, do que ser frio, equilibrado e não ter história pra contar.

Have a nice day!

Duvides que as estrelas sejam fogo, duvides que o sol se mova, duvides que a verdade seja mentira, mas não duvides jamais de que te amo.” William Shakespeare

Passei pouco mais de uma semana na cidade que tanto amo. Não é nada parecida com Verona, mas se torna inesquecível quando a conhece bem. Não fiz tantas coisas interessantes como das últimas vezes, dessa vez meu foco foi dar atenção as pessoas que precisavam da minha companhia.

Nas idas e vindas pelo centro da cidade, vi uma antiga escola que estudei, o “Conego Barros”.
Fiquei com vontade de entrar e cumprimentar algumas pessoas, mas preferi deixar como está.
As vezes acho que os anos que estudei no “Conego” foram os melhores da minha vida. Tudo é mais legal quando nossa maior preocupação é ir a escola e zoar muito!

Lembrei de algumas amigas que escreviam cartas substituindo letras por símbolos, só para que os meninos não conseguissem ler o conteúdo, que na maioria das vezes, falava sobre nós. Era engraçado, e no final, nós sempre encontrávamos um jeito de ler.
Naquela época eu já demonstrava minha paixão pela criptografia, mensagens secretas, códigos e coisas do tipo. Achava fascinante.

De fato, as primeiras cartas criptografadas foram escritas a muito tempo. Geralmente tratavam sobre Guerra, Amor ou Diplomacia.
O interessante é que uma técnica tão antiga, é usada até hoje no nosso dia a dia. E não só em cartas, mas em tudo.

Dizemos “te odeio”, quando queremos dizer “me abraça”.
“fica comigo”, quando queremos dizer “me deixe sozinho”.
E o meu preferido, “vamos tomar um café gelado” quando queremos dizer “Estou apaixonado”.

Por que é que queremos complicar tanto as coisas? Por que é tão difícil ser transparente?
O medo as vezes nos domina. E aquela insegurança toda que temos, acaba sendo passada a frente, tornando assim nossos relacionamentos cheios de códigos e mensagens mal interpretadas.

O que fazer então? Com certeza se esconder atras de uma parede não é a solução.
Dê uma chance a sinceridade. Ela pode te guiar para um caminho de clareza e compreensão.
Só pra reforçar o pensamento:

Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar. William Shakespeare

Have a nice day! Good Luck!

d3cf92e46b80d07380da797777a754da

foto:

Tempo

Quem diria que viver ia dar nisso?” Caio Fernando Abreu

Eu tenho o costume de chegar atrasado. Quando vejo, as melhores coisas já passaram e estou apenas parado observando.
Coisas boas acontecem o tempo todo. Eu estaria mentindo se dissesse o contrário.
O problema é que a gente só para pra pensar depois que já passou, ai fica com um arrependimento bobo na cabeça, como se nada de bom fosse acontecesse outra vez.

O tempo é um ratinho traiçoeiro. Ele nunca nos deixa seguir nossas vidas normalmente. Ou estamos olhando fixamente para o futuro, ou estamos presos no passado.
O que resta, é um presente sem atenção. Esquecido. Abandonado.

Talvez seja melhor aproveitar o dia de hoje, apenas viver, deixar acontecer. Sem medo, sem pressa, sem dúvidas. Sentir o mar gelado tocar os pés, ouvir o vento soprar, se apaixonar.

Equilíbrio? Já não acredito que possa haver harmonia no tempo.
Vivo um pouco de cada momento, aproveito, e jamais me arrependo.

Have a nice day!

foto:

Fábrica de Sorrisos

A vida é uma tormenta, jovem amigo.
Você se aquece ao sol em um momento, e é jogado as rochas no outro.
O que faz de você um homem é a sua reação quando vem a tormenta.
Você deve encará-la de frente e gritar como fez em Roma: “Faça o seu pior, pois é o que eu farei.”.
Então o destino o conhecerá como nós hoje o conhecemos; Albert Mondego, maduro.” O Conde de Monte Cristo

Finalmente entrei de férias. Já estava com saudade de sentar nessa escrivaninha marrom, tirar a poeira de cima dos livros, abrir o notebook e escrever.
As vezes a rotina nos consome, e é preciso dar um tempo para tudo voltar ao normal.
Será pouco tempo de paz, mas o bastante para colocar os pensamentos no lugar e estar pronto para tudo outra vez.

Nesse semestre, todos os meus objetivos foram cumpridos com exito. Não foi fácil, mas quando se olha fixo para o horizonte, ele começa a ficar mais próximo de nós.
Prometo escrever mais nos próximos dias. Não hoje.

Hoje, só desejo a você um sorriso! Ele lhe mostrará tudo o que precisa saber.
Não deixe o tempo roubar os seus sonhos. Nem poucos sonhos destruírem o seu coração.
Só você pode achar a chave desse mistério, nessa vida cheia de emoção.

Have a nice day!

foto:

Batalha de Waterloo

18 de Junho de 1815

Pode até parecer que não, mas por um longo tempo eu esperei. Em meio ao fogo e esse barulho ensurdecedor, eu estava contando os dias imaginando nosso reencontro.
O frio aqui corta minha pele. Quase impede meus dedos de escreverem. Sei que em um ano estarei em um lugar quente, cheio de flores e pássaros, apenas caminhando com você.

Seu sorriso me orienta em meio ao caos, mesmo quando vejo nosso exército se dizimando, um soldado de cada vez.
Ver a morte de perto me faz pensar mais nas coisas. Nas que vivi, e nas que jamais saberei.
Existem tantos lugares que deveria ter te levado. Tantas coisas que deveríamos ter feito. Mas essa não é a hora de prantos nem lamentos. É hora de sorrir e nos apegarmos as coisas lindas que fizemos juntos. É isso que me faz forte para enfrentar a fúria dos canhões todos os dias na frente da batalha.

Logo chegarei em casa, acredite. Quando menos esperar o inverno terá acabado e estarei a porta te convidando para um grande e apertado abraço.

A minha querida e eterna, Maria Luísa de Áustria.

Napoleão Bonaparte

A história não registra nenhuma mensagem de Napoleão a sua querida consorte. Nem ao menos nos da uma vaga lembrança do amor que um sentia pelo outro. Ao contrário disso, sempre mostrou Napoleão como um general frio e sem coração.

O mundo as vezes faz isso conosco. Nos expões de uma forma que fica evidente a falta de nossa essência em nossa própria história. Um pouco injusto, mas não importa muito. Histórias são apenas histórias, o que importa mesmo é o que fazemos todos os dias para inspirá-las.

Napoleão voltou de Waterloo mas jamais conseguiu ficar ao lado de sua amada. A vida o privou desses momentos, assim como nos priva todos os dias de algumas coisas que queremos.

A primeira vez que ouvir a história desse grande general, era apenas sobre batalhas e soldados. Hoje, o que vejo é um homem lutando até a morte por algo que mais acreditava. Ele não se importou para o que o mundo falaria, nem sobre o que seria contado nos livros. Apenas lutou, caminhou dia após dia, um passo de cada vez, sonhando em um dia acordar em um belo e quente lugar, ao lado do que mais lhe importava.

E você, como pretende terminar a sua batalha?

Have a nice day

foto:

Angra dos Reis

-Gui, acorda!
-O que foi, já chegamos?
-Não cara, nem saímos de São Paulo ainda. kkk
-Porra, então por que você me acordou?
-É que metade do ônibus está rindo de você dormindo desse jeito.
-Manu, me acorda quando chegar, ta bom? Falou!

O que relato agora aconteceu no final de 2009. É, já faz um tempo. Eu sei que deveria ter escrito antes. Mas as vezes as palavras certas vem sempre no momento errado. Clichê, mas verdadeiro.

Eu não fazia ideia de como aquela semana seria surpreendente. Foram dias incríveis, desde o momento em que sai de casa, até o olhar de despedida no ônibus, no caminho de volta.

A primeira parada foi em Paraty, cidade do interior do Rio de Janeiro, próxima a fronteira do estado de São Paulo. Aquela cidadezinha pacata com aroma de peixe fresco me chamou a atenção com sua arquitetura colonial e seu povo receptivo e sempre sorridente. Ficamos pouco tempo ali. Mas foi o suficiente para tirarmos algumas fotos e comprarmos alguns bugigangas.

Eu nunca havia ido tão longe de casa assim, tirando aquela vez que fui para o Paraguai, mas essa não conta, eu era novo demais para poder aproveitar.

Conhecer o Rio de Janeiro foi muito mais que uma viagem. Lá eu pude abrir os olhos e ver como pequenas coisas, como olhar o mar, podem trazer paz e respostas para nossa vida confusa.

Quando o ônibus começou a se aproximar do Resort(chique né? kkk), fiquei maravilhado com as casinhas de dois ou mais andares, todas beirando um estreito e artificial riozinho. Cada uma com seu iate, ou pelo menos uma lancha prontinha para navegar mar a fora. Foi ali que percebi que não estava entrando em qualquer lugar e que aquela semana seria um pouco diferente.

O quarto era super aconchegante. Com uma sacada que dava direto para a área da piscina. E poucos metros dali, a praia.
Após deixar minhas coisas no quarto, fui logo caminhando em direção ao mar. Essa seria a segunda vez que eu veria água salgada e talvez ondinhas.
Infelizmente, a praia do resort não tinha onda algumas, mas diferente de Peruibe(a primeira praia que fui), a areia era fofinha. Caminhei um pouco sentindo a areia quente e olhando para aquele cenário inigualável. Não é atoa que falam tanto de Angra dos Reis. Aquele lugar é maravilhoso.

Passei o resto da tarde conhecendo o lugar. Quando escureceu, fui jantar. A arquitetura do restaurante era feita de madeira e bamboo. Toda aquela madeira em conjunto com a iluminação baixa, faziam do lugar um ambiente exótico e inspirador. Sem contar a comida deliciosa e as sobremesas de deixar qualquer um com água na boca.

Um dia havia se passado. E eu mal sabia quanta coisa ainda estava por vir.
Ao decorrer da semana, as atividades eram quase as mesmas. Café da manha, academia, piscina, caiaque, vôlei de praia, sinuca, Poker, e sabe se lá o que mais a gente fazia por lá.
Todas essas coisas marcaram muito aquela viagem. Mas do que mais tenho saudade são as duas últimas noites que passei em Angra dos Reis.


A Penúltima noite

A noite estava calma. Como quem quer dizer algo. Mal se ouvia o mar e o céu estava limpo como um pedaço de seda azul, sem muitas estrelas, só o bastante para deixar tudo iluminado. O único som que se ouvia era do vento querendo se mostrar.
Eu olhava para fora do salão social e alguma coisa me chamava. Perdi algumas balinhas do Poker e resolvi sair para tomar um ar.
Não dei muitos passos e vi alguém. Ela estava lá sentada com um vestido branco longo. Cabelos ao vento. Quieta. Só ela e o mundo.
Por um minuto pensei em voltar para o salão, mas alguma coisa me fez dar mais alguns passos.
Ao me aproximar ela olhou para trás e sorriu. Aquilo me fez perder o chão.

-Posso me sentar?
Ela balançou a cabeça em sinal de sim. Bem sutil e meiga.

Dava pra notar que ela estava com frio. Minha vontade era de dar-lhe um abraço. Mas não se faz isso com pessoas que você não conhece muito bem. Talvez se eu tivesse feito, a história seria diferente. Nunca saberei.
Sei que ficamos ali conversando por um tempo. Talvez pouco mais de uma hora. Mas o bastante para perceber as pessoas indo embora do salão.

-Por que estava aqui sozinha?
-Gosto de ficar sozinha as vezes. Gosto do silêncio. Me faz sentir segura.

Por um momento achei que estava falando comigo mesmo. Ela era muito parecida. Mas ao contrário do meu lado louco e irresponsável. Ela mostrava a cada diálogo que era uma pessoa responsável e centrada, mas era divertida. Acho que queria agrada-la, então comecei a mostrar o meu lado centrado, lado que faço questão que ninguém conheça.

-Vamos dar uma volta na praia? – perguntei levantando.
-Achei que você queria ir embora.
-Só depois que você me expulsar daqui.

Ela sorriu.

Eu não lembro quase nada daquela conversa. Mas lembro bem daquele momento. Caminhamos por toda a praia, até chegarmos em um pequeno cais. Ali eu soube que logo logo teria que me despedir e voltar para o quarto. Já estava tarde.
O caminho de volta foi cheio de risadas e sorrisos. Mas no fundo eu estava triste pois queria que aquele momento durasse para sempre.
Nos despedimos. Ela foi para a direita e eu para a esquerda. A noite havia acabado.

A última noite

Depois do nosso grupinho ficar planejando o dia todo como seria a última noite, ali estávamos em um luau seu fogueira e sem violão, jogando conversa fora e rindo de qualquer coisa. As vezes o grupo parava de rir e um olhada para o outro e não dizia nada. A gente sabia que no dia seguinte teríamos que ir embora e não conseguíamos esconder a vontade de querer ficar. Ficamos ali por um longo tempo e aos poucos um a um foram indo para o quarto. Eu fiquei. E ela também.

-Lê, vamos ficar acordados e ver o sol nascer?
-Nossa deve ser lindo! Vamos!
-Ah duvido que você aguenta, você vai querer ir dormir daqui a pouco.
-Hey! Eu aguento sim, tá!?
-Então ta!

Eu realmente estava com sono. E ela mais ainda, mas queríamos ficar. Sabe quando você está lendo um livro não tão interessante mas você insiste em ler até a última página esperando um final surpreendente? Foi mais ou menos isso. Algo dizia que alguma coisa naquela noite valeria a pena. Eu confesso que pensei o tempo todo em desistir e dormir. Mas o que eu tinha a perder, uma noite de sono? Já perdi tantas outras por muito menos.

Quase perto do amanhecer a noite fica mais fria, e aquele quase abraço da noite anterior acabara acontecendo.
Aos poucos começamos a ouvir alguns pássaros e o céu começou a mudar de cor. O tom escuro começou a ficar claro, e a medida que ficava azul o mar ficava verde. Em poucos segundos o laranja e o rosa tomaram conta da cena e lá ao longe, atrás de duas pequenas ilhas, um pequeno feixe de luz apareceu iluminando tudo, como uma explosão atômica. Nunca vi tantas cores e tantas transformações como aquela. Em pouco menos de 2 minutos a cena havia criado vida. E como agradecimento, oferecemos dois sorrisos.

Eu ainda estava observando o horizonte quando ela disse:
-Valeu a pena!
Eu olhei para ela sorrindo mas não disse nada. Olhamos um para o outro e de repente, um beijo aconteceu.

Ficamos ali na praia por mais um tempo. Fomos ver as lojinhas e os iates ancorados. Tomamos café juntos e mais tarde fomos na cachoeira. Foi um ótimo fim de viagem.

Fiquei por muito tempo pensando naquela noite.
Aquele beijo na verdade nunca aconteceu. Mas nem por isso aquele momento deixou de ser especial. Na verdade, foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. E antes que tivesse terminado, eu já havia prometido a mim mesmo que escreveria tudo o que tinha acontecido ali, naquela noite. Promessa comprima.

Angra dos Reis me ensinou uma lição. As vezes as coisas simplesmente acontecem como tem que acontecer. Sem planejamento, sem promessas ou sem palavras. Apenas acontecem. E como um biscoito da sorte, lhe trás uma surpresa. Um motivo para sempre lembrar e uma razão para nunca esquecer. As vezes um beijo, as vezes um sorriso. No meu caso, um simples: “Valeu a pena!”.

Have a nice day!

foto:

Controvérsias

Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraçá-la. Clarice Lispector

Foram poucas as vezes que não consegui dizer nada. Na maioria das vezes, mesmo em silêncio, as palavras estavam ali, só esperando.
Eu nunca soube lidar com os sentimentos. Nem com o amor, nem com o ódio. O meu melhor sempre foi o extremo. Como o fogo queimando intensamente ou como uma manha fria de inverno. Em mim nunca houve equilíbrio. Nunca houve sorrisos sem dor, ou dores sem sorrisos.
Dessa vez eu simplesmente apaguei. Pude ouvir meu coração bater e meu peito encher de ar. Minhas mãos tremeram e senti frio. Naquele instante o tempo parou e um filme longo e detalhado passou sobre meus olhos, como uma seção de cinema antigo, onde as imagens são distorcidas mas você consegue entender a história.

Aquela manha ensolarada de verão acabará se tornando o dia mais sombrio do ano. Quase pude ver cinzas caindo do céu como se fosse neve, só que escura e quente, tocando minha pele e me fazendo sentir medo.
Observei atentamente seu rosto pois seria a ultima vez que veria. Memorizei cada detalhe, dos cabelos macios ao vento, até seus olhos brilhando querendo dizer algo. Ninguém disse nada. Nem precisava. As palavras estragam as coisas, mesmo os piores momentos.

Sempre odiei despedidas. E mesmo tentando evitá-las, parece que me seguem, gostam de mim e me perseguem.
Depois de algumas você acaba que acostumando. É como se acostumar a tomar um suco tropical diferente, só que o gosto nunca fica bom. Acho que não fomos feitos pra isso, por isso é tão difícil.
O final geralmente é o mesmo, só as reações que mudam um pouco. Alguns produzem lágrimas, outros sorrisos. Alguns ficam em silêncio. Os mais complexos produzem lágrimas e sorridos. Chega até ser bonito de ver. Mas é triste.

Nessa horas é difícil ver o lado bom das coisas. Mas sempre existe. É só olhar com carinho e qualquer céu cinzento se torna brando como o oceano. Temos que dar um passo de cada vez. Não adianta correr pra bem longe e se esconder. É preciso sorrir para nossos demônios. Assim eles ficarão sem graça, parados e sem saber o que fazer. É ai que você saberá que ganhou.

Controvérsias. Como pode alguém rir e chorar, sorrir ao sentir dor, amar e odiar? Somos humanos. Somos intensos. Todas essas dores e alegrias é o que prova a cada dia que temos um coração e que ele bate forte.
A vida é complexa e fascinante. Ela nos proporciona pesares mas também nos trás alegrias. Hoje você se despede de alguém, mas amanha certamente conhecerá alguém que lhe fará dar boas risadas e você terá vontade de tomar sorvete de morango com bastante calda de chocolate.

Have a nice day!

foto:

Mandy

Sábado, 18 de Junho de 2005

Querida Mandy,

Já faz tempo que não vejo seu sorriso. Me sinto no escuro. À muito tempo venho criando coragem para escrever. E mesmo que já não faça mais sentido, resolvi arriscar.

É engraçado como as coisas são. Tudo passou tão rápido e tanta coisa aconteceu. E ainda assim, não sei o que contar e o que dizer.

Éramos tão diferentes. Eu aumentava a música e você me pedia para desligar. Você se arrumava toda e eu insistia na calça jeans e naquela all star branco sujo.
Eu te chamava de baby, pequena ou princesa. Mas você odiava. Queria um nome só seu. Algo diferente, nunca usado antes. Era engraçado. Como eu me divertia! Você ficava brava e eu não parava de rir. Dai surgiu o Mandy. Nada original, mas servia.
Era simples, mas era só seu. E você gostou.

Teve aquela vez que estávamos sentados e você me perguntou.
– O que somos, namorados ou amigos?
Eu, como sempre imaturo, respondi.
– Somos “Eu e você”.
Você sorriu. Não importava muito o nome, desde que ficássemos juntos.

Sinto falta daquele verão. Sinto falta das coisas que aprendi e dos sorrisos que arrancou de mim.
Espero que esteja bem. Que todos os sonhos que me contou, estejam se realizando.
Viva seus momentos. Desperte desejos. Sinta o vento. Respire fundo.
Faça como nunca foi feito antes. Corra e não pare nunca.
É esse o significado. É isso o que tem que fazer.

Boa viagem!

Antes que me esqueça, com toda sinceridade:
– Você é especial pra mim!

Guilherme Vinicius

foto:

Olhando pra trás

As vezes algumas coisas mexem comigo. Tem quem diga que a maioria das coisas sempre mexem comigo. Não por que exista algo de errado em mim. Mas é que gosto de reparar nos detalhes. Detalhes das cores, sons, detalhes dos próprios detalhes. Mesmo que isso possa parecer uma redundância. Faço desse erro a minha regra. Pois quando a história é verdadeira. Não tem por que ser bela.

“Tempo perdido” sempre foi uma das músicas que mais gostava. Nem era a música mais bonita do mundo, mas eu ouvia. Mesmo sem entender, sabia que um dia faria sentido. E faz.
Hoje tenho a seguinte filosofia: nada que foi registrado, está perdido. E é isso o que detalho essa noite. As cenas que deixei de registrar.

Naquela época eu não ligava muito para o papel e a caneta. Nem mesmo para o teclado e as telas coloridas. E antes disso, não sabia que seria importante aprender a escrever.
O fato é que vi tantas coisas, olhei para tantos lugares, senti inúmeros cheiros e pouco escrevi a respeito. Pode parecer discurso enjoativo de um escritor no fim da vida. Mas não devemos chegar ao fim da vida para saber apreciar o valor das coisas que fizemos.

Depois que passa, fica um pouco mais difícil registrar. É preciso ter uma boa memória, ou reparar bem nos detalhes. É o que faço.
Se você repara no sapato verde da moça alta de cabelos encachiados. Certamente você vai lembrar da moça alta de cabelos encachiados.

Pode parecer coisa de quem não tem o que fazer. Eu assumo que as vezes não tenho mesmo. Mas qual seria a graça de olhar e não poder lembrar. As coisas não precisam ser tão passageiras.

Acho que faltariam páginas e telas para escrever todas as coisas, emocionantes ou chatas, que vivemos. Talvez seja melhor deixar assim como está, só na nossa cabeça.

Para que esse momento não passe em vão, lhe contarei uma história. Nem pequena e nem grande. Nem triste e nem alegre. Está tarde para fazer alguém rir. E frio demais pra fazer alguém chorar. Será apenas uma história.

Ele era pequeno demais para eu poder imaginar como seria. Se gostaria de mim,  se me amaria ou se ignoraria meus conselhos quando os desse.
Tantas dúvidas passaram por mim naquele momento. E para me trazer conforto, uma única certeza aparecia: Eu o amaria acima de tudo. E nunca deixaria de protege-lo.
Não sei se foi assim com todos os pais. Sei que foi comigo. Reparei em todos os detalhes, dos menores até os que não podem ser considerados detalhes.
Como uma máquina fotográfica  de ultima geração, meus olhos registraram cada movimento, cada sorriso e cada pequeno piscar de olhos.
Mesmo sendo forte o bastante, meu coração não aguentou sua pequena mãozinha apertando o meu dedo indicador. Então chorei.
Eu não disse nada, e nem ele. Ficamos nos encarando por algum tempo, e como se eu tivesse contado algo engraçado, ele sorriu e eu retribui a altura.
Eu sabia que dali em diante, minha vida nunca mais seria a mesma. Sabia que nenhuma das emoções que até então eu havia passado, se igualariam as emoções que estariam por vir.
Naquela noite não consegui dormir. Fiquei deitado olhando para o teto imaginando como seriam as próximas cenas. Os primeiros passos, o primeiro dia na escola, a primeira namorada e o dia em que me despediria no seu casamento.

Olhando para trás, e lembrando de dias como esse, é que tenho a certeza da importância de reparar nos mínimos detalhes.

foto:

Pandora

Às vezes as pessoas são tão bonitas! Não pela aparência física, nem pelo que dizem. Só pelo o que são.” Markus Zusak

Ela me olha com aquele olhar de menina moça. Sabe bem como me chamar a atenção.
Seus olhos são expressivos, mas é quase impossível decifra-la.
Seus passos sutis e imponentes vem de encontro a mim e minha ansiedade aumenta.
O vendo sopra em seu rosto e seus cabelos respondem a altura.
Como a noite, me toca e arranca meus segredos.
Se torna meu mau, e meu vício.
Ela brinca, se diverte, sorri e fica séria.
Olha pra mim e não diz nada, mas diz tudo.
Sua pele tem um encanto. O aroma do mais puro veneno.
Não tenho medo do perigo, mas ela consegue me assustar.
Sua voz é doce e perigosa. É arisca e desconfiada.
Ela vai embora e leva consigo o mistério. Algo que me tira do sério.
Quando posso, à amo. É o que faz de mim um pobre ser humano.

Quase sempre as mulheres fingem desprezar o que mais vivamente desejam.” William Shakespeare