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Mera coincidência


“Nem tão longe que eu não possa ver. Nem tão perto que eu possa tocar.”Engenheiros do Hawaii

[ Ato I – Nem tão longe ]

Vejo pessoas sorrindo. Caminhando de mãos dadas. Mãos coladas. Gravatas e vestidos combinando.
Fotos de beijo. Fotos de abraços no natal. Fotos de sorrisos no verão.
Pessoas tão diferentes, vivendo coisas tão intensas. Completamente felizes. A ponto de não se importarem com nada, apenas com a pessoa do lado, com o carinho e com o som de “desliga você”. Comemorando a cada dia o triunfo de estarem vivendo um pedacinho de história feliz.

Talvez eu não acredite mais nisso. Talvez eu acredite tanto que o próprio desejo de mergulhar em uma dessas histórias me faça naufragar em um mar de medo e insegurança.
Talvez tudo isso seja apenas uma mera coincidência e as pessoas simplesmente se encontrem e dali em diante tudo muda para sempre. Sem premeditarem, sem correrem atrás do que parece estar tão longe. Longe demais para tocar e chamar de minha outra vez.

A verdade é que a vida acontece enquanto estamos aqui, esperando as coisas darem certo. Você pode encara-la, se esconder por ai, ou esperar por um verão que não volta mais.

É tão difícil assim acreditar que coisas tão surpreendentes podem acontecer outra vez?
Por muito tempo tive medo de encontrar a felicidade. Achei que se encontrasse, eu perderia todas as lembranças doces que tanto amei.

Ainda sinto medo.
E quem não sente?

[ Ato II – Nem tão perto ]

Não me peça pra parar. Eu estou me punindo.
Estou me punindo por que nenhuma alegria dessa vida vai substituir a falta que sinto de alguém que já não está mais aqui.

Sim, é isso. Esse é meu segredo.

É o que desejo todas as manhas.
É o que penso todas as noites antes de dormir.

Fique tranquila, os clichês existem pois essas coisas acontecem o tempo todo.
Hoje é comigo. Talvez amanha seja você.

A única diferença é que uns seguem em frente, outros fingem que estão bem.
Uma pequena parcela, e não menos importante, vive por ai, apenas contando as horas, esperando mais um dia acabar.
Pois sua única e verdadeira alegria é quando fecham os outros, e imaginam beijar os lábios dela só mais uma vez. E sentir sua mão carinhosa tocando seu rosto. Com aqueles olhinhos brilhando correspondendo aos seus completamente apaixonados.

Esse sou eu. Ou pelo menos o que restou de mim. Mas já não me importo. Esse é o meu caminho.
Jamais me arrependerei dessas memórias.

Sei que um dia vamos nos encontrar por ai. Sei também que nada será como antes.
Mas talvez um beijo no rosto mude meu destino. Me faça alguém melhor. Melhor o bastante pra você.

Have a nice day! 😉

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Coração de criança

Vós, que sofreis, porque amais, amai ainda mais. Morrer de amor é viver dele. Victor Hugo

Ontem, como geralmente faço de sexta a tarde, fui para a UCB pegar uma sauna e depois uma piscina. Chegando lá o lugar estava deserto. Para minha surpresa, enquanto deixava a sauna esquentar, apareceu um colega. Raramente converso com ele, talvez pela diferença de idade, já que ele tem uns 12 ou 13 anos.

Conversa vai, conversa vem, ele me pediu um conselho amoroso. Provavelmente eu devo ter mais dúvidas sobre esse assunto do que ele, mas tentei ajudar. Ele pegou o celular e começou a me mostrar umas fotos de uma garota. O filho da mãe pode ter 13 anos, mas sabe bem escolher, a menina é linda.
Disse que era o melhor amigo dela, que a amava muito e que o sonho da vida dele era namorar com ela.

Nesse ponto da história, eu fiquei ligeiramente incomodado. Comecei voltar no tempo e lembrar do meu primeiro amor. As histórias pareciam muito, mas no meu caso, sou amigo dela até hoje, nunca saiu disso.
Antes que eu pudesse falar alguma coisa, ele me explicou a seguinte teoria:

“Eu não posso namorar com ela agora, pois estamos muito jovens. Se começarmos agora, não vamos ficar juntos pra sempre.
Minha ideia é esperar um tempo, até os 17 por exemplo, ai a gente namora, casa e fica pra sempre juntos”.

Acho que todos nós já pensamos em algo parecido, pelo menos os mais estrategistas sim. Esse plano dificilmente acontece. Mas eu jamais poderia desencorajar o rapaz.
Conversamos por mais um tempo. Ele realmente estava amanda a garota, e sofrendo por ela.
E eu que pensei que não se faziam mais pessoas assim.

No final das contas, acabei não dando conselho algum. Deixei ele seguir o seu caminho. A vida vai ensinar.
Depois que ele foi embora, fiquei encucado com a história. Eu não conseguia tirar uma dúvida da cabeça:
Por que é que depois que a gente cresce, acreditamos menos no amor?

Quando jovens, as coisas são muito mais intensas. Amamos mais. Sofremos mais.
E com o passar dos anos, talvez por causa das desilusões, começamos a criar uma armadura contra o amor. Chegamos em um ponto em que ele quase já não existe.
O que resta é um adulto patético e amargurado. Por que será né?
Reclamamos da vida o tempo todo, mas ignoramos a única coisa que pode nos trazer felicidade.
É tão contraditório que chega a ser engraçado.

Que ironia, quem recebeu o conselho foi eu.
Aquele jovem rapaz me fez lembrar que “Morrer de amor é viver dele.”.
É bem mais gostoso viver e se emocionar, do que ser frio, equilibrado e não ter história pra contar.

Have a nice day!

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Pessoas que vão embora

“Deus sussurra e fala à consciência através do prazer, mas grita-lhe por meio da dor: a dor é o seu megafone para despertar um mundo adormecido.” – (C. S. Lewis)

Talves fosse melhor se não pudessemos amar. O amor machuca. Não quando se ama, mas quando se é privado de amar.
O amor é controverso. O mais controverso dos sentimentos. Nos causa dor e alegria. Risos e lágrimas. Como se fosse dono do coração.

Por mais que seja mau esse amor. Niguem viveria se não pelo amor.
Mau mesmo é a morte que nos priva do amor.
Não por que morre o amor. Mas porque morre a quem amar.

Desde de pequenos, nascemos com uma grande capacidade de nos apegar as coisas, pessoas, lugares. E quando nos apegamos tanto que não conseguimos ficar sem. É quando começamos a amar.

Amamos tanto alguém e de um dia pra noite, essa pessoa vai embora, sem que ao menos possamos dizer adeus.
Quem sabe essa não é a maior maldição que sofremos; Perder as pessoas que mais amamos.
Muitos dizem que devemos esquecer e viver a vida. Outros dizem para sermos bons para que um dia possamos encontrar essas pessoas no Monte Olimpo.

Dessa vez não tenho respostas.
Não sei lidar com isso. Nem sei o que dizer. Apenas fico imóvel, intácto e quieto. Mergulhando nos meus pensamentos sem que alguém perceba.
Provavelmente é o que todos fazem. Nos motramos inabaláveis, mas no fundo, estamos afundando nessa maré de uma alegria que não volta mais. E é tão simples perceber quando alguém sofre pois quando se olha nos olhos, eles estão chorando imaginando como será a vida daqui pra frente sem aquele amor que lhe foi tirado.

Hoje já não posso amar quem eu tanto amava. Mas posso amar as lembraças que me deixaram.
Posso amar aquelas doces palavras, aquelas poucas ações, e aqueles poucos olhares.
Amarei cada lembrança por mais pequena que sejá. Pois esse mau amor que nos percegue, consegue aumentar cada lembrança e torna-la uma grande história de alguém que nos ensinou a amar.

“[..] Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.” – Antoine de Saint-Exupéry / O Pequeno Principe

in memory of Vó Mirian e Vô Geraldo