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Naqueles olhos

E mais uma vez estamos aqui. Dessa vez pensei que seria ela. Como sou ingenuo. Esse meu sexto sentido tem me feito de tolo. E eu que fiquei quieto na minha por um tempo, tentando não me colocar em encrenca, acabei por tomar uma rasteira das grandes. Um amigo me perguntou como eu estava um dias desses no almoço. Na hora eu não soube responder, mas de fato estou abalado. Tudo aconteceu tão rápido que nem tive a chance de entender toda a história. Já nem mais importa, e pelo que me parece, sou inocente. Minha única culpa foi ter olhado naqueles olhos. Eu vi tudo o que não se deve ver. Mas não foi nada ruim, pelo contrário, não teve nada de que não gostei. Talvez esse tenha sido o problema.

Quão doce uma pessoa pode ser? Ela sem dúvida está entre as recordistas. Eu poderia ficar ali durante horas ouvindo ela falar sobre suas bandas preferidas, seus planos para o futuro, ou como tem carinho pela família. Essa garota é especial, acredite em mim. E o fato dessas conversas terem acabado, me deixa completamente entristecido. Quero que voltem, mas não sei como. Talvez eu devesse ir até ela, perguntar como está, como foram os dias, ou se tem ouvido alguma música legal. Mesmo se ela não respondesse nada, eu estaria perto. Perto o suficiente pra sentir o seu calor, e isso já faria o meu dia ser bem melhor.

São pequenas coisas, como um simples olhar, que podem mudar os nossos caminhos. Nos fazer entender que a vida é tão menos complexa como a gente tem o vício de pensar. Basta um sorriso e a vida se torna mais doce. Basta um abraço e a amizade se torna importante. Palavras tem o poder de inspirar e guiar, curar e defender. E é nossa responsabilidade fazer com que as pessoas se sintam especiais. E de fato elas são. Cada uma com seu jeitinho, as mais quietinhas, as mais agitadas. Nenhuma menos importante que a outra. E foi assim que ela me roubou a atenção. Me fez perceber que o mais importante é o que somos lá no fundo, por trás de um olhar, dentro do coração.

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Finzinho de tarde

Areia quentinha. Pegada macia.
Docinho de chocolate. Cãozinho que late.
Mãozinha magrinha, colada na minha.

Cabelo castanho. Olhinhos brilhando.
Beijinho no rosto. Carinho gostoso.
Tão pouco. Tão perto.
Tão novo. Tão certo.

Não é sonho, nem realidade.
É só mais um finzinho de tarde!

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Perfume

O destino une e separa pessoas. Mais mesmo ele sendo tão forte, é incapaz de fazer com que esqueçamos pessoas que por algum momento nos fizeram felizes” Guilherme Vinicius

Tudo isso ficou congelado no tempo.
Esperando o momento certo de acordar.
Essas coisas ficam pairando pelo quarto dos sonhos.
Mas não há sinal de calor que possa fazer parar.
Essas palavras são confusas, até mesmo pra mim.
Tento ignora-las, mas estão em todos os lugares.
Paredes brancas se transformam em versos.
São tantos acentos que as paredes ficam negras.
Elas escorrem e sobem até o teto.
Não a mais espaço para respirar.
Estou quase me afogando.
Então fecho os olhos, e sinto um perfume suave, delicado e doce.
Paro de lutar e me entrego.
Aos poucos consigo respirar e me sinto seguro.
Minhas mãos retornam a escrita, resultado dessa maldição que me acompanha.
Pessoas entram e saem, observam por alguns segundos, e seguem em frente.
Não me importo, pois tenho a tinta e as paredes.
Elas me atingem e me confortam.
Sempre foi assim, e sempre será.
Não a nada de que me arrependo.
Não a nada que me faça voltar.
Apenas esse perfume doce.
Que me conforta e me congela no ar.