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Laíse

Querida Laíse,

Sei que eu deveria preservar seu nome nessa carta. Mas você sabe que eu adoro te contrariar.
Sou tipo criança boba, que puxa o cabelo e sai correndo. Essa é minha forma de dizer que te adoro e que me importo.
Me importei com você desde a primeira conversa. Senti que você precisava de cuidados. Nada muito complicado. Apenas um abraço ao acordar, um no almoço e outro antes de dormir. Talvez seja por isso que voltei de viagem tão depressa. No fundo eu sabia que deveria aproveitar cada momento enquanto havia tempo. E por mais que hoje eu me recuse a acreditar, esse tempo acabou. Foi mais rápido do que pensei. E me ensinou que nada é verdadeiro até você largar completamente.

Nossas vidas se cruzaram de repente. Num momento eu estava em casa me distraindo com alguma coisa inútil, e no outro, estava no seu sofá te roubando um selinho. E que fique bem claro que foi apenas um selinho da amizade.

No começo tentei não me envolver. Fiz cara de mal. Do tipo que não tem sentimentos, que não se importa com nada. Mas a verdade é que por muito tempo acreditei estar fingindo gostar você. Sendo gentil, carinhoso, fazendo você sorrir. Quando de fato, eu estava completamente apaixonado. Mergulhado em uma situação onde jamais quis estar. E agora, desejo voltar a qualquer custo.

Não voltarei dessa vez. Preciso partir, dar um tempo de tudo, colocar a cabeça no lugar. Se é que isso é possível.
Vou sair de fininho, como sempre. Esse é meu estilo. Fingir que nada aconteceu. Seguir em frente.
Mas saiba que sentirei saudades. Principalmente das músicas, das risadas e do seu jeito doce de querer me salvar de mim mesmo.

Talvez eu seja o cara mais doido que você já conheceu. Você mesma já me disse isso algumas vezes. Sendo assim, obrigado por me aceitar e gostar de mim mesmo sendo completamente maluco. Isso me ensinou muitas coisas. Como valorizar as pessoas e confiar em quem só quer seu bem.

Mande lembranças minhas ao tempo. Diga que temos contas a acertar. Ele vai entender.
E se um dia, por algum motivo, você ficar triste. Lembre-se sempre, nada, simplesmente nada acaba para sempre…

Nos vemos por ai.

Com todo carinho e amor desse mundo,
Guilherme Vinicius

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Mari

Quinta-feira, 28 de Julho de 2011

Querida Mari,

Revolvi escrever pois é a melhor forma de dizer tudo o que tentei hoje e não consegui. Odeio despedidas e você bem sabe.
Ver você ali rindo e se divertindo, mesmo sabendo que seria a última vez, é algo que não consigo entender. Tentei ficar feliz por você mas não consegui, pelo menos por enquanto. Sei que logo irei me acostumar com a ideia e tudo vai dar certo.

Você foi uma boa amiga, eu nem preciso dizer. Mesmo me chamando de chatinho e carente o tempo todo, eu sei que você me ama, não é?
Estou feliz, e ao mesmo tempo preocupado. Mas jamais te direi para não ir. Você precisar seguir o que seu coração manda. Ele dificilmente está errado. E mesmo que estiver. É bem melhor se arrepender de fazer, do que viver a vida toda imaginando como teria sido.
É eu sei, uso bastante essa frase, mas é porque é a mais pura verdade.

Londres é uma cidade maravilhosa, não que eu já tenha ido, mas não precisa de muito para se encantar, basta olhar uma foto.
Lá você conhecerá um mundo totalmente diferente. Passará por muitas alegrias e também por muitos momentos de tristeza. Quando esses dias chegarem, lembre-se do Brasil, e das pessoas que te amam tanto. Isso te dará forças para levantar e enfrentar mais um dia longe de casa.

Se cuida Mari. Te vejo daqui um tempo. Estarei no aeroporto te esperando de braços abertos.
Sei que você não merece, mas…

…Te amo sua doida!

Boa viagem!

De seu amigo carente e chatinhu,
Guilherme Vinicius

Tudo começou com essa musica, e tudo terminará com ela.
Me despeço hoje dos meus sentimentos, bons, ruim ou apenas sentimentos.
Mesmo que pudesse ser diferente, encaro como presente, é assim que tem que ser.
Muitas vezes tentamos concertar o que estava escrito para ser como é.
É impossível ganhar do que foi escrito para ganhar de você.
Fugir seria covardia, e aceitar seria glorioso.

Me despeço do que poderia ter sido. Bom ruim ou apenas acontecido.
Me despeço hoje do que se foi. ficará guardado? talvez. talvez até o momento que acharmos que vale a pena.
Esquecer? Quem sabe. Talvez isso se faça sozinho, quando menos esperamos o futuro se faz presente e o passado se faz apenas história.
É fácil se despedir quando não se tem coração. Quando o temos, é como perder parte de nós.
Mais com jeitinho agente pega o jeito 😉

Não vou morrer, muito menos lamentar. A vida é muito boa para vivermos por algo tão pequeno.
Pequeno me lembra pena. Pena me lembra desprezo. então prefiro viver e esquecer.

Me despeço de mim. Pois não sou como fui. Sou novo e diferente. Sou mesmo é como semente. Nasci, cresci, vivi e me tornei arvore. Agora vento nenhum me derruba. Mais me deixa triste, pois minhas raízes não me permitem estar ai quando começar a cair. Nem tão pouco posso avisá-la de que na vida tudo passa, principalmente o futuro que definimos como pra sempre.

Me despeço dessas palavras, toscas e sem graça.
Para que escrever se o que temos de melhor é apenas viver.
Despeço-me agora. Não com alegria, nem com tristeza.
Despeço-me com clareza, frieza e certeza. Certeza de que foi bom, ruim e instável.
Mais que acida de tudo, julgamos ser agradável.

have a nice day 😉