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Evelyn

Querida Evelyn,

Hoje é um daqueles dias em que sinto sua falta. Chega a ser difícil respirar. Deve ser esse pedaço de situação mal resolvida entalado na garganta. Talvez seja só meu coração chamando por você. De qualquer forma, as vezes acho que não vou conseguir dizer tudo o que planejei. Sinto que você vai me mandar calar a boca e me dar logo um beijo. Ou seria esse o meu papel? Já nem sei mais. Mas costumava saber, e não faz muito tempo. É que as vezes, essas coisas mudam a gente. Faz uma bagunça danada e o melhor a se fazer é começar de novo. Mas como? O que posso dizer sobre isso? Nada! Essas coisas de amor são foda.

Acho que acostumei olhar pra frente e continuar caminhando. Só que o desejo de olhar pra trás nunca acaba. E não é só curiosidade, tenho a sensação de que o horizonte não é mais tão interessante. E o passado está tão perto. A um passo de distancia. A distancia mais longa que já cheguei da felicidade. Tão perto e ao mesmo tempo tão longe, como o horizonte, mas não tão incerto.

De vez em quando me trasporto em pensamento. Gosto do barulho das risadas, das brigas no apartamento e da música de dançar a dois. Aquela que eu finjo dançar muito, enquanto você apoia a cabeça no meu peito e só balança junto. Aposto que da pra ouvir meu coração. Eu pelo menos sentia o seu. E era bom, como tudo o que tivemos juntos.

Vou encontrar meu caminho de volta para casa, prometo a você. Mas não agora. Não estou pronto.
É preciso aprender a perder se você quer ter alguma coisa que valha a pena. E isso me leva a crer que jamais estarei pronto. Pois nunca me acostumarei com a ideia de perder você de novo. Nunca.

Eu sou assim: me apego, desapego, me apego de novo, sofro e desapego, então volto a lembrar e sinto saudades. Não se trata de bipolaridade, é só meu jeito. Não queira roubar isso de mim. É tudo o que tenho.
Quem sabe no fim, seja isso o que você irá lembrar de mim. Um cara que foi e voltou algumas vezes, mas que independente de distancia, amou você como nunca.

Guilherme Vinicius